Os Estados Unidos atacaram a Venezuela e capturaram o ditador Nicolás Maduro, que estava no poder há décadas, em uma operação realizada na madrugada deste sábado (3), anunciou o presidente americano Donald Trump.
Ele informou que o país será governado pelos EUA por enquanto, inclusive com o envio de tropas, se necessário.
“Vamos governar o país até que possamos realizar uma transição segura, adequada e sensata”, disse Trump durante uma coletiva de imprensa em seu resort Mar-a-Lago, na Flórida, neste sábado. “Não podemos correr o risco de que alguém assuma o poder na Venezuela sem ter os interesses dos venezuelanos em mente.”
Não está claro como Trump pretende supervisionar a Venezuela. Apesar da operação noturna que deixou parte de Caracas sem energia elétrica e capturou Maduro em um de seus esconderijos, as forças americanas não têm controle sobre o país em si, e o governo de Maduro parece ainda estar no poder.
Os comentários do presidente sobre uma presença indefinida na Venezuela relembram as mudanças de liderança passadas no Iraque e no Afeganistão, ambas terminando com a retirada dos EUA após anos de ocupação. Ele disse estar aberto à ideia de enviar forças americanas para a Venezuela.
“Não temos medo de tropas terrestres”, afirmou.
Trump não deu respostas específicas às repetidas perguntas dos repórteres sobre como os EUA administrariam a Venezuela.
“EUA serão reembolsados”
Uma ocupação americana “não nos custará um centavo”, pois os Estados Unidos seriam reembolsados com o “dinheiro que vier do solo”, disse Trump, referindo-se às reservas de petróleo da Venezuela, um assunto ao qual retornou repetidamente durante a coletiva de imprensa de sábado.
Trump afirmou que o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, havia entrado em contato com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez — a provável sucessora de Maduro.
“‘Faremos o que for preciso'”, Trump citou Rodríguez dizendo. “Ela realmente não tem escolha.”
Quatro fontes familiarizadas com as movimentações dela disseram que a vice fugiu para a Rússia. O Ministério das Relações Exteriores russo desmentiu a notícia sobre a presença de Rodríguez no país, classificando-a como “falsa”.
Possível vácuo de poder
A remoção de Maduro, que governou a Venezuela por mais de 12 anos, potencialmente abre um vácuo de poder no país latino-americano.
Qualquer desestabilização séria na nação de 28 milhões de habitantes ameaça entregar a Trump o tipo de dificuldade que tem marcado a política externa dos EUA durante grande parte do século XXI, como as intervenções no Afeganistão e no Iraque.
Os EUA não realizam uma intervenção tão direta em sua região de influência desde a invasão do Panamá, há 37 anos, para depor o líder militar Manuel Noriega sob a acusação de comandar uma operação de narcotráfico.
Washington tem feito acusações semelhantes contra Maduro, acusando-o de comandar um “narcoestado” e de fraudar as eleições de 2024.
Maduro, um ex-motorista de ônibus de 63 anos escolhido a dedo por Hugo Chávez, em seu leito de morte, para sucedê-lo em 2013, negou as acusações e afirmou que o governo tinha a intenção de assumir o controle das reservas de petróleo de seu país, as maiores do mundo.
As ruas da Venezuela pareciam calmas ao amanhecer. Soldados patrulhavam algumas áreas e pequenos grupos pró-Maduro começaram a se reunir em Caracas.
Outros, no entanto, expressaram alívio.
“Estou feliz, por um momento duvidei que estivesse acontecendo, porque parece um filme”, disse a comerciante Carolina Pimentel, de 37 anos, na cidade de Maracay. “Está tudo calmo agora, mas sinto que a qualquer momento todos estarão nas ruas comemorando.”
Condenação à ação americana
Autoridades venezuelanas condenaram a intervenção de sábado. “Na união do povo, encontraremos a força para resistir e triunfar”, disse o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, em uma mensagem de vídeo.
Embora diversos governos latino-americanos se oponham a Maduro e afirmem que ele fraudou as eleições de 2024, a ação direta dos EUA reaviva memórias dolorosas de intervenções passadas e geralmente encontra forte oposição por parte de governos e populações da região.
A ação de Trump evoca a Doutrina Monroe, estabelecida em 1823 pelo presidente James Monroe, que reivindicava a influência dos EUA na região, bem como a “diplomacia das canhoneiras” vista sob o governo de Theodore Roosevelt no início do século XX.
Os aliados da Venezuela, Rússia, Cuba e Irã, rapidamente condenaram os ataques como uma violação da soberania. Teerã instou o Conselho de Segurança da ONU a interromper a “agressão ilegal”.
Entre as principais nações latino-americanas, o presidente da Argentina, Javier Milei, elogiou a nova “liberdade” da Venezuela, enquanto o México condenou a intervenção e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que ela ultrapassou “uma linha inaceitável”.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br



















